terça-feira, 18 de agosto de 2009

Caminho pelo não lugar

Qual será nosso caminho na vida? Seria aquele que sonhamos...? Por quantos lugares devemos passar para chegarmos ao ponto de partida, a largada dos nossos planos; seria no lugar ou momento em que planejamos ou quando iniciamos a execução do planejado?
Não sei exatamente; mas sei que é extenuante a caminhada diária, meu corpo ainda quente, um pouco cansado, com uma postura incorreta, senta à frente do computador. Prefiro não citar as datas, apenas nada além do meu itinerário.
Trabalho – Faculdade – Casa.
Quantos caminhos eu traço diariamente não sei, mas de algum modo eu sempre consigo quebrar a rotina.
Hoje, ao sair do trabalho fui esperar o ônibus fora do terminal, com a intenção de evitar as longas filas e o aperto de quem já não precisa passar à roleta. Ao entrar, uma disputa fugaz e silenciosa se revela para ver quem fica sentado. Na parte da frente, as pessoas empurram-se e acotovelam-se por um espaço para por os pés. Os corpos roçam um no outro ao balançar do veículo ou na passagem de passageiros que por alguns momentos ficam ali no lugar que antes era só de caminhantes. A linda paisagem do por do sol alivia o percurso cansativo. Quando há janela, uma válvula de escape instala-se no corpo, com isso o espaço e tempo se diluem e eu passo a não estar. E eis que chega minha parada. È, mas nem sempre é assim.
“Porra! Motorista tu não está levando boi não.”. É uma das coisas que se corre o risco de escutar. Vendedores ambulantes, pessoas pedindo esmola: “gente eu podia tá roubando, matando, mas tou pedindo.”, uma ameaça implícita para transeuntes do transporte coletivo. Outras vezes, meu transporte, pára e já não consegue passar por entre os prédios. A artéria da cidade fica entupida. E quando passa o faz tão lentamente que é como se não saíssemos do lugar. Motos, bicicletas e pedestre nos ultrapassam. Todos pelas calçadas. Que pena não cabermos lá.
Apesar de sermos velozes há outro veloz na nossa frente e outro que não nos deixa passar. Não há espaço, não há mudança, e sim o calor que aumenta a cada momento que ficamos ser ar. “A culpa é da prefeitura.”, se ouve. “não, é do motorista, pois ele que dirige.”, se responde. Piadas são feitas pela situação, uma fila de carros – ônibus – dentro dos terminais. Desço, preciso respirar, vou caminhar um pouco por entre carbono, até chegar ao meu destino. Melhor que ficar em lugar nenhum, no veículo rápido que não sai do lugar. Já pensei em comprar uma bicicleta, mas o trânsito é perigoso. E um dia ele volta a rodar. Ou não.

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