Quando já era tarde, fui... Caminhei em silêncio num silêncio adentro. Cada vez mais pra lugar algum, algum lugar chamado entendimento. Nesse percurso, o não saber passava a ser comum, já ouvia, no silêncio de pensamento, os borburinhos do caminhar. Os melódicos e compassados passos marcavam a caminhada. Era uma distração tranquila: ao meu redor, ao redor de tudo que eu olhava, marcas daqueles que por aqui passaram faziam-se presente. Apesar do silêncio e do aparente vazio, eu não estaria só: marcas objetivas de subjetividade impregnavam o meio. Um lugar onde uma coisa me remetia a outra se concretizava. O silêncio, cada vez mais tímido, me dizia por onde seguir. E dessa maneira, um pouco vacilante, eu prosseguia...
Comecei a perceber vozes de um passado recente, feixes de presente passavam a se compor. Um desenho fluído e forte aparecia como visão. Eu estaria vendo meu futuro ou tomei uma dose forte de imaginação? Eu não saberia, pois as coisas mudavam rapidamente de lugar. Uma dinâmica abstrata não me deixava ter uma certeza sólida. Entretanto, me restava um ponto comum: Sede, fome e alegria. Uma misteriosa alegria forjada na vontade de comer. Eu não comeria barro, eu não devoraria livros se eu não os pudesse digerir. Era dessa conclusão que vinha a alegria, da consciência daquilo que eu poderia digerir.
Por um momento, pensei ser senhor de si. Meus limites eram óbvios e comuns, minhas obervações eram vastas e solitárias. Eu tinha fome... E um delírio aponderava-se dos meus pensamentos. Passei a procurar o vázio de tudo e pensar que toda sintaxe era pura ilusão. Por que, eu, um sujeito simples precisa de pão e barro para sobreviver? Se já tenho alma, por que preciso de alguém ao meu lado para me dizer que tudo não foi imaginação? Nesta rua, sinuosas pedras formam edifícios inimagináveis. Tudo partia da imaginação e da consciência de saber quem sou. A velha busca do eu? Não, eu tenho sede. Eu sou essa pele polimorfa de sentidos a respirar oxigênio. Ao final do meu delírio, pude, então, encontrar algumas maçãs. E voltei à certeza de não ser dono de si... Se sou alma, sou também barro, e o resto é invenção...
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