Quando já era tarde, fui... Caminhei em silêncio num silêncio adentro. Cada vez mais pra lugar algum, algum lugar chamado entendimento. Nesse percurso, o não saber passava a ser comum, já ouvia, no silêncio de pensamento, os borburinhos do caminhar. Os melódicos e compassados passos marcavam a caminhada. Era uma distração tranquila: ao meu redor, ao redor de tudo que eu olhava, marcas daqueles que por aqui passaram faziam-se presente. Apesar do silêncio e do aparente vazio, eu não estaria só: marcas objetivas de subjetividade impregnavam o meio. Um lugar onde uma coisa me remetia a outra se concretizava. O silêncio, cada vez mais tímido, me dizia por onde seguir. E dessa maneira, um pouco vacilante, eu prosseguia...
Comecei a perceber vozes de um passado recente, feixes de presente passavam a se compor. Um desenho fluído e forte aparecia como visão. Eu estaria vendo meu futuro ou tomei uma dose forte de imaginação? Eu não saberia, pois as coisas mudavam rapidamente de lugar. Uma dinâmica abstrata não me deixava ter uma certeza sólida. Entretanto, me restava um ponto comum: Sede, fome e alegria. Uma misteriosa alegria forjada na vontade de comer. Eu não comeria barro, eu não devoraria livros se eu não os pudesse digerir. Era dessa conclusão que vinha a alegria, da consciência daquilo que eu poderia digerir.
Por um momento, pensei ser senhor de si. Meus limites eram óbvios e comuns, minhas obervações eram vastas e solitárias. Eu tinha fome... E um delírio aponderava-se dos meus pensamentos. Passei a procurar o vázio de tudo e pensar que toda sintaxe era pura ilusão. Por que, eu, um sujeito simples precisa de pão e barro para sobreviver? Se já tenho alma, por que preciso de alguém ao meu lado para me dizer que tudo não foi imaginação? Nesta rua, sinuosas pedras formam edifícios inimagináveis. Tudo partia da imaginação e da consciência de saber quem sou. A velha busca do eu? Não, eu tenho sede. Eu sou essa pele polimorfa de sentidos a respirar oxigênio. Ao final do meu delírio, pude, então, encontrar algumas maçãs. E voltei à certeza de não ser dono de si... Se sou alma, sou também barro, e o resto é invenção...
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Caminho pelo não lugar
Qual será nosso caminho na vida? Seria aquele que sonhamos...? Por quantos lugares devemos passar para chegarmos ao ponto de partida, a largada dos nossos planos; seria no lugar ou momento em que planejamos ou quando iniciamos a execução do planejado?
Não sei exatamente; mas sei que é extenuante a caminhada diária, meu corpo ainda quente, um pouco cansado, com uma postura incorreta, senta à frente do computador. Prefiro não citar as datas, apenas nada além do meu itinerário.
Trabalho – Faculdade – Casa.
Quantos caminhos eu traço diariamente não sei, mas de algum modo eu sempre consigo quebrar a rotina.
Hoje, ao sair do trabalho fui esperar o ônibus fora do terminal, com a intenção de evitar as longas filas e o aperto de quem já não precisa passar à roleta. Ao entrar, uma disputa fugaz e silenciosa se revela para ver quem fica sentado. Na parte da frente, as pessoas empurram-se e acotovelam-se por um espaço para por os pés. Os corpos roçam um no outro ao balançar do veículo ou na passagem de passageiros que por alguns momentos ficam ali no lugar que antes era só de caminhantes. A linda paisagem do por do sol alivia o percurso cansativo. Quando há janela, uma válvula de escape instala-se no corpo, com isso o espaço e tempo se diluem e eu passo a não estar. E eis que chega minha parada. È, mas nem sempre é assim.
“Porra! Motorista tu não está levando boi não.”. É uma das coisas que se corre o risco de escutar. Vendedores ambulantes, pessoas pedindo esmola: “gente eu podia tá roubando, matando, mas tou pedindo.”, uma ameaça implícita para transeuntes do transporte coletivo. Outras vezes, meu transporte, pára e já não consegue passar por entre os prédios. A artéria da cidade fica entupida. E quando passa o faz tão lentamente que é como se não saíssemos do lugar. Motos, bicicletas e pedestre nos ultrapassam. Todos pelas calçadas. Que pena não cabermos lá.
Apesar de sermos velozes há outro veloz na nossa frente e outro que não nos deixa passar. Não há espaço, não há mudança, e sim o calor que aumenta a cada momento que ficamos ser ar. “A culpa é da prefeitura.”, se ouve. “não, é do motorista, pois ele que dirige.”, se responde. Piadas são feitas pela situação, uma fila de carros – ônibus – dentro dos terminais. Desço, preciso respirar, vou caminhar um pouco por entre carbono, até chegar ao meu destino. Melhor que ficar em lugar nenhum, no veículo rápido que não sai do lugar. Já pensei em comprar uma bicicleta, mas o trânsito é perigoso. E um dia ele volta a rodar. Ou não.
Não sei exatamente; mas sei que é extenuante a caminhada diária, meu corpo ainda quente, um pouco cansado, com uma postura incorreta, senta à frente do computador. Prefiro não citar as datas, apenas nada além do meu itinerário.
Trabalho – Faculdade – Casa.
Quantos caminhos eu traço diariamente não sei, mas de algum modo eu sempre consigo quebrar a rotina.
Hoje, ao sair do trabalho fui esperar o ônibus fora do terminal, com a intenção de evitar as longas filas e o aperto de quem já não precisa passar à roleta. Ao entrar, uma disputa fugaz e silenciosa se revela para ver quem fica sentado. Na parte da frente, as pessoas empurram-se e acotovelam-se por um espaço para por os pés. Os corpos roçam um no outro ao balançar do veículo ou na passagem de passageiros que por alguns momentos ficam ali no lugar que antes era só de caminhantes. A linda paisagem do por do sol alivia o percurso cansativo. Quando há janela, uma válvula de escape instala-se no corpo, com isso o espaço e tempo se diluem e eu passo a não estar. E eis que chega minha parada. È, mas nem sempre é assim.
“Porra! Motorista tu não está levando boi não.”. É uma das coisas que se corre o risco de escutar. Vendedores ambulantes, pessoas pedindo esmola: “gente eu podia tá roubando, matando, mas tou pedindo.”, uma ameaça implícita para transeuntes do transporte coletivo. Outras vezes, meu transporte, pára e já não consegue passar por entre os prédios. A artéria da cidade fica entupida. E quando passa o faz tão lentamente que é como se não saíssemos do lugar. Motos, bicicletas e pedestre nos ultrapassam. Todos pelas calçadas. Que pena não cabermos lá.
Apesar de sermos velozes há outro veloz na nossa frente e outro que não nos deixa passar. Não há espaço, não há mudança, e sim o calor que aumenta a cada momento que ficamos ser ar. “A culpa é da prefeitura.”, se ouve. “não, é do motorista, pois ele que dirige.”, se responde. Piadas são feitas pela situação, uma fila de carros – ônibus – dentro dos terminais. Desço, preciso respirar, vou caminhar um pouco por entre carbono, até chegar ao meu destino. Melhor que ficar em lugar nenhum, no veículo rápido que não sai do lugar. Já pensei em comprar uma bicicleta, mas o trânsito é perigoso. E um dia ele volta a rodar. Ou não.
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