Não há espaço para confusão, o meu peito sangra deitado em palavras mediocres. Entre pensamentos, arquejo e deixo um rio de ilusões esvaírem por entre a inéciar da espera, pelo meu corpo, gotículas de suor formam lágrimas retidas por olhos perdidos na solidão. Nada guardo dentro de mim, os sentimentos silenciosos brotam e se perdem na imensidão do vázio.
As boas palavras, em cada fala, soam para dentro da garganta, invertida, ferem os meus orgãos; e minha boca cala, quando não, balboceia paródias, de mau gosto, sobre sentimentos sublimes. Dessa forma, sou incompreendido, julgado e marcado pelo símbolo da indiferença. Tudo isso por que tenho uma forma singular de expressão. E para explicar essa forma, mesmo que seja de maneira abstrada, venho aqui dizer e desfazer qualquer confusão: pois eu sinto.
Sinto uma enorme distância da forma como nos comunicamos, não falo em palavras, porque amplio para todos os sentidos. Sinto um descompasso na forma como vemos as coisas. Vejo um enfretamento cotidiano e a morte das pequenas partículas de prazer. Vejo a morte do desejo e, dessa forma, mesmo perto, você parece distante de mim.
Vejo, sinto, percebo uma estrutura de vida, códigos de postura do qual eu não pertenço... Sinto minha alma solitária incompreendida pelo padrão pré-estabelecido em qualquer escala social. Com isso me torno anacoreta, misantropo e chato, não peço o contrário, mas, dessa vez, abro espaço para explicação. Por não entrar na roda da qual muito já se falou, fito o vázio dialogando com a solidão, porém não estando só nesse ponto, navego por todas circunstâncias sociais e vivo sem deslumbre para com aquilo que nunca foi meu. Estou de passagem e não espero compreensão.
Apesar disso, eu quero pequenas doses de felicidade, como se fosse um pouco de adoçante colocado no café, eu quero sorrir ao amanhecer e vivenciar um dia lindo ou um dia magnífico de esforços superados ou não. Eu quero, deixa-me ver, na verdade, ter uma visão positiva de tudo que possa vir. Não quero mais acordar com aquela cara amarrada de quem não quer levantar. Entretanto, para isso, preciso de compaixão (co-sentimento) “a mais alta capacidade de imaginação afetiva, a arte da telepatica das emoções” – o sentimento supremo.